Banco do Brasil emite US$ 500 milhões em nature bonds para financiar recuperação ambiental
Captação internacional do Banco do Brasil destina recursos à recuperação de áreas degradadas e amplia o uso de instrumentos financeiros voltados à preservação ambiental.
O Banco do Brasil concluiu, em abril, uma captação internacional de US$ 500 milhões por meio da emissão de um nature bond, título de dívida voltado ao financiamento de iniciativas de recuperação ambiental. A operação amplia a presença da instituição no mercado de finanças sustentáveis e direciona recursos para projetos com foco em uso produtivo do solo e preservação ambiental.
Segundo comunicado divulgado pelo Banco do Brasil, os recursos serão destinados à recuperação produtiva de áreas degradadas, com foco em restauração do solo, aumento da produtividade agrícola e redução da pressão por abertura de novas áreas. A emissão foi estruturada no mercado externo e tem vencimento em 23 de outubro de 2031.
De acordo com o banco, esta foi a primeira emissão de nature bond em formato benchmark realizada por uma instituição financeira comercial no mercado internacional. A operação reforça a estratégia da instituição de ampliar sua presença em instrumentos financeiros vinculados à agenda climática e ambiental.
Título direciona recursos para restauração produtiva
Diferentemente de emissões sustentáveis mais amplas, o nature bond tem destinação vinculada a projetos com impacto direto sobre biodiversidade e uso do solo. No caso do Banco do Brasil, os recursos serão aplicados em iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas e ao financiamento de práticas produtivas com menor pressão ambiental.
Em entrevista à CNN Brasil durante o CNN Talks Agro, na Agrishow, o superintendente private do Banco do Brasil, Felipe Duch, afirmou que a emissão foi estruturada para atender uma demanda mais específica da agenda ambiental e do crédito rural. Segundo ele, o instrumento foi desenhado para financiar recuperação de áreas degradadas e preservação de bacias hidrográficas, com impacto direto sobre a atividade produtiva no campo.
— Felipe Duch, superintendente private do BB, à CNN Talks.
Demanda reforça interesse do mercado
A operação foi precificada em 16 de abril e liquidada em 23 de abril. O título tem prazo de cinco anos e meio, cupom de 5,625% ao ano e retorno final de 5,875% ao investidor, segundo informações divulgadas pelo Banco do Brasil.
A emissão também registrou forte demanda internacional. O volume de ordens chegou a US$ 2,5 bilhões, cinco vezes acima do montante ofertado, sinalizando apetite de investidores por instrumentos financeiros com destinação ambiental e uso direcionado de recursos.
Nature bond amplia espaço das finanças ambientais
A emissão ocorre em um momento de expansão do mercado de finanças sustentáveis e reforça o avanço de instrumentos voltados à preservação ambiental com destinação específica de capital. Ao direcionar recursos para restauração produtiva e recuperação de áreas degradadas, o Banco do Brasil aproxima crédito, preservação e atividade econômica dentro de uma mesma estrutura financeira.
Na prática, a operação amplia o espaço de instrumentos ligados à biodiversidade no mercado de capitais e reforça o uso de dívida sustentável como mecanismo de financiamento para atividades com impacto ambiental mensurável.